Portugal Acima de Tudo

-Portugal Acima de Tudo

A actual conjectura política portuguesa encontra-se num estado caótico, de tal ordem retrógrado face às restantes realidades e instituições observáveis no ocidente que ainda vivemos o bi-partidarismo e duopólio que tanto caracterizava as democracias do pós-segunda guerra mundial.

O paradigma político de Portugal está portanto mais de 10 anos atrasado, não por culpa desta casta lusitana mas dos ditos intelectuais, elites e políticos da nação. Em especial, a responsabilidade é dos homens do falar e nada fazer da direita (não só, mas este é o meu foco) portuguesa que devem agora ser varridos de lado de modo a que possamos proclamar uma nova era para esta mesma.

O porquê destas afirmações? Entre diversas razões que possamos indicar como causa da actual situação do CDS-PP e por sinal dos restantes partidos da direita, existem neste momento cruciais justificações para esta realidade:

1- A inconsistência do partido a níveis de campanha eleitoral, governação e ideário político. Como podemos observar, na actual legislatura o partido que deveria representar a oposição ao governo e manter uma união de ideias apenas provou ser inconsistente em seus actos, relembro o episódio recente na nossa história dos professores.

2- O distanciamento (peço desculpa ao leitor, pois irei referir isto muitas vezes ao longo da publicação em todo o seu contexto) perante a realidade política da Europa que colabora para um isolamento da direita nacional.

3- O distanciamento face às bases do partido e à camada eleitoral que lhe é fiel, a aparente clique que se estabeleceu no referido.

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Sirva de exemplo o seguinte comentário na rede social Twitter, por parte de Mendes Seufert aquando do seu comentário a um outro tweet da autoria de Sofia Rocha, do PSD, com que me deparei há cerca de dois dias:

“Comparar a IL aos tolinhos da TEM garante a felicidade de todos assim se geram concensos”

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Podemos verificar na mensagem transmitida pelo ex-deputado do CDS-PP, o Sr. Mendes Seufert o elitismo e o gozo perante uma considerável porção do partido que, ao contrário do primeiro enunciado, mantém uma base coesa de ideias e propostas para este mesmo.

O TEM de Abel Matos Santos, ao qual orgulhosamente pertenço, é assim atacado por um próximo e favorito daqueles que arruinaram este projecto.

Sei também que esta mesma arrogância intelectual é direcionada para outras facções do partido como o CDS XXI, por exemplo, liderado por Pedro Borges de Lemos,reforçando assim a ideia de que existe de facto uma falsa união estabelecida.

Não gosto de ser chamado de tolo, não porque isso me afecta pessoalmente mas porque é sinal que vamos deambulando pela rua da amargura, envergando um modus operandi deveras preocupante e elitista.

Esse elitismo, que emana das camadas mais isoladas da direção ou de membros próximos desta estrutura partidária, o egoismo intrínseco a esta mesma, o ridículo que é a recusa dos líderes da organização em compactuar com os valores estabelecidos pela carta de princípios do próprio partido, faz culminar o seu isolamento perante os restantes sectores deste mesmo, desde os militantes às organizações juvenis como a Juventude Popular.
E é exactamente a essa JP que tiro o meu chapéu, mais especificamente ao presidente Francisco Rodrigues dos Santos, pelas diversas atividades promovidas em prol de Portugal, por uma política antropológica centrada no personalismo e na democracia cristã, pilares fundamentais daquilo em que a direita tem em crença.
Como podemos observar pela proposta de revogação do PL n.º 38/2018 que prevê a implementação gradual e total da nefasta e restritiva de liberdades ideologia de género, uma teoria sociológica, cientificamente e filosoficamente refutada por inúmeros investigadores e intelectuais, ao serviço de uma agenda socialista e gramsciniana (mais conhecida como marxismo cultural), a JP reforça a sua posição moral enquanto, em minha vista, o órgão principal do partido, tanto pela coesão ideológica de seus líderes, tanto pela intransigente defesa dos valores da civilização ocidental (algo que o CDS-PP não faz, pelo contrário negligencia, perdendo uma grande fatia do eleitorado base e da abstenção por puro elitismo e carência de visão política).

De notar também que a dita previamente auto-intitulada próxima primeira-ministra de Portugal e líder da oposição Assunção Cristas ainda se está por pronunciar acerca deste assunto em específico.

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Afinal, porque criticamos o regime e as elites políticas gerais, apelando assim a uma política mais popular, se caímos no erro de nos tornar-mos naquilo que mais criticámos enquanto direita? Dividindo o já dividido através de políticas comezinhas e insignificantes, de batalhas de egos e distanciamentos?
Não se admirem então, com estas hipocrisias estruturais, comportamentais e eleitorais, que o povo lusitano repulse a atividade partidária, pois este tem toda a razão.

Gostaria também de abordar a crucial questão que é a visão que tanto os portugueses na sua maioria, por falta de conhecimento político, tanto actual classe política têm do que é um partido.
Um partido é, nada mais nada menos, que uma instrumentalização de ideologias e conceitos, uma pequena organização colectiva de interesses imateriais consequente de uma ideia ou conjunto de ideias específicas consideradas por um setor da população eleitoral como solução para os problemas do então paradigma. O que quero dizer com isto? Que um partido com ideologias muito distintas e fortes egos não fará qualquer tipo de sentido e que enxargar a política como uma competição de futebol realizada de 4 em 4 anos como o mundial, em que cada um escolhe o seu clube/seleção a apoiar, é absolutamente ridículo.

Para os incautos e ineptos posso justificar tal afirmação:

1- Não me mal interpretem, nem tão pouco enumerem argumentos falaciosos para distorcer a minha palavra, um partido deve ser constantemente aberto a dialogos internos de modo a salvaguardar o conceito de democracia e impedir o surgimento dos elitismos contra os quais eu próprio me oponho. Quero uma união coesa, não uma união políticamente anatural.

Mas infelizmente, o que se vê é um pensamento comum na direita, que transcende até o CDS-PP, uma insatisfação perante uma rutura interna naquele que devia ser a maior oposição ao governo e o maior partido de direita, que passa por divergências ideológicas tão graves que põem em causa a consistência e matriz ideológica deste mesmo. Meus caros, é praticamente impossível, excepto se estivermos a falar de coligações, a coabitação de liberais (no sentido social) e de conservadores originar um partido uno e coeso que assim se mantenha durante anos e anos, por razões claras:

O eleitorado é subdividido entre eleitorado base, menos exposto à política e às propostas concretas dos partidos e mais exposto ao populismo, sendo este mais rural, o eleitorado médio, composto por uma porção da população que segue de perto o debate político com assiduidade, e por fim o eleitorado temático, atraído a partidos focados em causas únicas ou mais concretas, fundamentalistas e idealistas, sendo este mais urbano.
Querendo dizer o quê? Que partidos como o CDS-PP que partilham características com todos estes tipos de eleitorado não podem abdicar da sua constituição e integridade de princípios ao ponto de parecerem ser “ideologicamente fluidos” pois podem cair no absurdo e no ridículo.

2- Por minha culpa, ainda tenho a ideia que a política deveria ser debatida pelo seu conteúdo ideológico mas sobretudo pelo contributo e qualidades dos governantes, não da sua cor ou aparentes parcerias.

Infelizmente ninguém em Portugal se deu ao trabalho de clarificar estas noções tanto à classe política, que se aproveita da ignorância para bem individual pondo à frente da união nacional de interesses a sua própria pessoa ou organização, tanto ao povo que em pura inacção de rácio se foca, na sua maioria, na política com um pensamento puramente derivado daquilo que pressente emocionalmente, entregando-se a possíveis manipulações de sentido, expondo a sua pessoa à desinformação, à oratória demagoga e não num pensamento proveniente de um saudável monólogo racional e interiorizado acompanhado de um diálogo entre si.

Finalmente, gostaria de evidenciar algo que é mais que sabido mas que muitos de nós, por falsas noções de superioridade ou medo, recusamos verbalizar publicamente perante o povo português:

A direita nacional encontra-se numa fase de decadência não só desde o início da actual legislatura como durante a inteireza da terceira república portuguesa.

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Precisamos então, de pôr de lado os egos ao fazer prioritária a causa da nação portuguesa e seu povo, romper as imperfidas correntes do elitismo bacoco que se sente e limita as nossas acções políticas e proclamar uma nova união de esforços de modo a que a vontade do povo possa ser realizada. Deste modo, se cumprir-mos com o que enunciei, será possível rasgar horizontes e alicerçar novos projectos e novas realidades que ao contrário da presente não sejam compremetedoras daquilo que é o quadrante político que ocupamos e da pátria que tanto defendemos. Uma união, um bloco conjunto e coeso de uma direita que não vergue em sua estrutura perante o liberalismo social. É algo que não verificamos neste velho novo CDS-PP e que desejo eu que se altere quando comprovado o falhanço desta fórmula desformulada de se praticar a política.

“Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.”- Gandhi

Muitos de nós não se conseguem aperceber do que está em causa, que um regime com uma constituição que favorece perspectivas de esquerda configura uma ameaça à plenitude democrática e que este mesmo, face às mudanças políticas que observamos caminha para uma atitude cada vez mais totalitária perante ideologias e perspectivas à direita. Não é conspiração, é uma realidade de que devemos estar cientes. Está em causa o futuro da nação e a sua concepção, está em causa a integridade social e o sacrifício heróico de sucessivas gerações, que por uma afinidade colectiva de espírito, sangue e crença, lutaram para que o ideal de Afonso se pudesse cumprir ano após ano, era após era.

Só nós podemos mudar isto, mais ninguém, ao alterar os nossos comportamentos divisórios e apelar-mos a uma ideia de fraternidade pondo acima de todo o raciocínio a noção de que é a nossa mais ínfima prioridade a união nacional.

Portugal acima de tudo,

Miguel Guilherme Fernandes Nunes

One thought on “Portugal Acima de Tudo

  1. Parabéns caro Miguel Nunes, mais uma vez, estou de acordo consigo! Espero, ver essa conversa da União das Direitas, bem abordada e que seja esclarecedora.
    Penso que o que está em causa é Portugal, a nossa cultura e os nossos valores…
    Abraço Nuno Carrilho

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