O falhanço da democracia partidária

O que é um regime político? Um regime político é a definição dos órgãos da soberania, do modo como se constituem, participam do poder e colaboram para o bem comum da sociedade civil e da histórica nacionalidade lusitana.

É também a enumeração daqueles direitos que as leis hão-de respeitar no homem e, contrariamente ao nosso caso, da enunciação de princípios morais, sociais e económicos que se julgam úteis para dar estabilidade à vida do conjunto humano e imprimir à vida nacional uma finalidade. O que quer dizer que um regime pode ser também uma política e não apenas uma constituição. O nosso nem é uma coisa nem outra.

Perante os pouco luminosos e danosos anos de democracia partidária, tivemos a infelicidade bastante comum às democracias liberais, de verificar e presenciar como de pouco interessa aos homens da política, mesmo que dela vivam com boas intenções, o bem estar da população em geral.

O falhanço da democracia partidária, as artificiais disputas entre os homens do falar e da pouca ação, que detrás do véu da ignorância mal-dizem da causa nacional, deve-se à inconsistência do debate ideológico que é associado às organizações partidárias e à oligarquia divisiva que se estabelece pela natureza dos homens.

Teoricamente, os partidos e associações de cariz ideológico são meras agremiações de interesses e perspectivas morais, que visam elevar o maior interesse de conjunto popular, instrumentalizando determinadas teses e aplicando estas mesmas no paradigma nacional. Teoricamente ainda, a democracia partidária que destes vive depende, apenas e apenas só, da vontade popular e das instituições tradicionais estabelecidas com o decorrer dos séculos.

Ora, ao longo destes 45 anos de democracia liberal, o que verificamos é que este sistema e regime político facilmente se verga a interesses alheios à vontade do povo português e, por culpa da falta de virtude e do patriotismo no cumprimento do dever, se transforma numa oligarquia total. Ironicamente, esta oligarquia é a forma de governo menos democrática possível e surge apenas pelo desmantelamento gradual, feito pelos falsos políticos eleitos, das instituições democráticas.

Nasce a partidocracia.

Podemos então dizer, que temos tudo contra nós: governos, dinheiros de ordem pública, a imprensa. Todas estas forças, bancadas pelo contributo do povo português, são usadas contra este mesmo.

Mas não existe razão para desesperar, pois a vontade de um povo não se resume a uma eleição em que a maioria de uma minoria elege um governo, em que um voto numa região valha mais que outro. A vontade de um povo é de ordem secular, imaterial em sua génese. E não o é apenas dos vivos, também é dos mortos que se sacrificaram por esta ideia de nacionalidade, daqueles que ainda haverão de nascer e dar a vida por ela.

Só esta ideia de sacrifício sem conta, de identidade de origem, só esta ideia de colectivo natural pode moralmente alicerçar novas bases e edificar espiritualmente uma democracia verdadeiramente popular que, contrariamente à presente oligarquia e disputa de interesses, de desperdício no debate de ideias fúteis, dará um contributo para o desenvolvimento nacional.

É urgente então que se reforme a democracia, que se lhe dêem bases morais e éticas.

É urgente que se cumpra Portugal.

 

Miguel Nunes

 

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