Adoro viajar, expandir-me e tocar em tudo, como se o tudo eu fosse.

É a mais bela experiência astral.

Mas viajar não é apenas enxergar, como que se querer algo palpável de função utilitária, uma busca incessante por algo material ou mundano em troca.

Não. Viajar é olhar, absorver e ser-se absorvido pelo local e sua espiritualidade, deambular até ao conhecimento e verdade. Viajar é aprimorar o nosso senso empírico, como olear uma máquina bem oleada, e elevar a própria humanidade que nos é inerente.

Infelizmente poucos têm isso em consideração e os desgraçados muitos apenas viajam por um obscuro e cinzento mundo de descaracterizado carácter. De nada vale viajar por viajar, ser por se ser, para isso mais valerá a pena ler e ficar sentado.

Pelo que até lendo e ficando harmonicamente recostados num sofá viajaremos mais numa leitura que muitos pobres incautos que, por direito de sua capacidade mental, nunca se irão aperceber da finalidade da viajem.

Infeliz véu da falsa liberdade que, inspirado no mais torpe materialismo, nos impõe tantas altivas e ditatoriais paredes de concreto ao nosso horizonte.

Ao viajarmos assim, por viajar, prendemos nossa alma, seremos um belo rouxinol engaiolado na casa de Dante.

Portanto almas penadas, confinadas a este plano, se quereis este mundo vaguear em busca de um solo propósito e fecundo,

Por este sinal viajarás, e descobrirás um Novo Mundo.

Miguel Nunes

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